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Como ler e aproveitar este site
 
Se você é um visitante frequente deste site, deve ter percebido duas coisas. Primeiro, os artigos sofrem alterações. Diferente de um blog onde cada texto possui uma data de publicação e permanece estático, aqui cada artigo é frequentemente revisado, criticado e republicado, geralmente porque adiciono novas idéias (quando aprendo mais por outras fontes) ou porque altero frases para melhorar a didática. Segundo, a estrutura dos textos também se altera com o tempo. Posso eliminar ou unificar artigos, mudar a sequência entre eles, etc.

Através de textos agrupados em capítulos ou macro-tópicos, aos poucos o site vai se transformando numa estrutura de um livro, como começo-meio-fim, ainda permitindo os hiperlinks. Em outras palavras, estou escrevendo um livro de forma online e pública com o passar do tempo. Entretanto, o atual formato está longe de ser o final e ainda há muitos gaps que preciso preencher. A vantagem desta técnica (escrever em pedaços e deixar público) é que consigo melhorar o conteúdo através de dois tipos de feedbacks: (1) pela popularidade de cada texto (estatística de acesso usando o Google Analitics) e (2) pelos comentários escritos no forum, com elogios, críticas e dúvidas.

Organização dos artigos

A estrutura atual está dividida em uma introdução e sete capítulos encadeados. Após estudar todos os tópicos, perceberá que o intuitivo pode ser sistematizado e essa é a grande vantagem dos conceitos formais e modelos mentais.

O capítulo 1 (Pensamento Estratégico) mostra como a Teoria dos Jogos está relacionada com o pensamento estratégico e define o que é "estratégia" no contexto de "jogos".

O capítulo 2 (Pense por antecipação) compara a Teoria dos Jogos com os jogos normais (por exemplo, xadrez): os jogadores possuem objetivos, são estratégicos para atingí-los, mas como os resultados são conectados e dependentes, a decisão de um afeta o ganho do outro, que por sua vez faz um contra-ataque e interfere no resultado do primeiro. Assim, ambos precisam se antecipar aos movimentos e reações do outro antes de decidiir o que fazer. O conceito é "coloque-se na posição do adversário". A Teoria dos Jogos apresentam algumas técnicas, como utilizar um formato gráfico de análise (árvore de decisão ou matriz), mapear os jogadores, ações e resultados, e então usar os conceitos de indução retroativa, estratégia dominante e interações para entender o ponto de equilíbrio e melhor decisão. Entretanto, pensar por antecipação neste modelo requer algumas premissas, como admitir que o outro jogador quer maximizar a utilidade dele, que ele é racional e que ambos sabem exatamente quais são as estratégias e resultados (payoffs) da situação em questão. Qualquer alteração nos payoffs praticamente muda o jogo inteiro e quais são as melhores estratégias.

O capítulo 3 (Entenda os incentivos) questiona algumas dessas premissas e dá um tom mais realista para se adequar ao mundo. A principal mensagem aqui é saber qual é o real objetivo que o outro jogador está buscando maximizar. O primeiro conselho "coloque-se na posição do adversário" é revisitado para "coloque-se na cabeça do adverário": não é você na situação dele pensando como você, e sim pensando como ele. Entenda as motivações dele, seja monetária ou subjetiva, seja de curto ou longo prazo. Como um grande princípio econômico, todas pessoas respondem diferentemente de acordo com cada incentivo e possuem alto grau de auto-interesse nas descições. Sabe qual o esquema de incentivos em questão no jogo é crucial para jogá-lo bem. Embora eu sugira esta sequência (capítulo 1 antes do 2), eles podem ser invertidos na leitura.

O capítulo 4 (Consiga cooperação) aborda um caso especial de jogo, onde o esquema de incentivos com escolhas simultâneas induz o tomador de decisão racional a optar por uma estratégia ruim, preso numa armadilha chamada Dilema dos Prisioneiros. Utilizando este framework como analogia, fica fácil explicar as condições em que todos querem cooperar mas acabam competindo, onde a estratégia racional individual resulta num pior coletivo. Para resolver o esse parodoxo, alguma dicas são dadas, como usar o poder de uma autoridade central, fazer contratos rigorosos ou a famosa estratégia OLHO por OLHO nas interações repetidas. O ponto principal é como conquistar a confiança nos chamados dilemas sociais. Muitos biólogos explicam a existência da colaboração no mundo animal (e os sociológos no mundo humano) usando o mesmo framework.

O capítulo 5 (Ameace de forma crível) unifica os ensinamentos sobre pensar por antecipação, entender os reais incentivos e mecanismos de cooperação em um conceito de sinalização. Enviar uma mensagem ao seu adversário ou parceiro, dentro da Teoria dos Jogos, é fazer um movimento estratégico esperando uma reação, preferencialmente aquela que você espera. Neste contexto, o principal conceito é ameaçar de forma crível. Você verá que uma dar formas é sinalizar publicamente que você não tem menos alternativas de estratégias possíveis.

O capítulo 6 (Entenda as limitações e uso prático) mostra algumas alternativas para uso no cotidiano. Primeiro, esclarece que a aplicação da Teoria dos Jogos de forma matemática em matrizes de payoff ou árvores de decisão é muito raro e improvável no mundo real. Entretanto, como todo conceito formal, a Teoria dos Jogos cria um modelo mental favorável a abstrações para várias situações da vida. A principal vantagem da Teoria dos Jogos é sistematizar o raciocínio. Um dos exemplos interessantes é a discussão sobre aquecimento global a luz dos dilemas sociais, free-riders, tragédias dos comuns e recriação de incentivos mais aderentes.

O capítulo 7 (Curiosidades) reune uma coleção de artigos que não se encaixavam na estrutura dos primeiros seis tópicos, mas são muitos interessantes e ilustrativos para compor todo o mundo da Teoria dos Jogos. Como exemplo, mostro os encontros com John Nash, Prêmio Nobel criador do Equilíbrio de Nash, origens da teoria, eventos e cenas de filmes.

No final, o Apêndice (Aprofundamento para mentes curiosas) apresenta textos mais avançados, entrevistas e trechos de livros e artigos interessantes.

Neste formato creio transmitir um pouco sobre Teoria dos Jogos de forma mais didática e sem a modelagem matemática comum nos livros-textos sobre o assunto. Ainda faltam vários conteúdos, como (1) abordagem sobre estratégia, (2) mais exemplos didáticos, (3) mais jogos-modelos como Tragédia dos Comuns, Leilão do Dolar, (4) mais exemplos de empresas, entre outros. Caso tenha comentários a respeito (clique aqui), ficarei feliz em recebê-los.
 

Próximo Artigo: Pensamento Estratégico, Modelos e Analogias
 
 
Atenção: estou convidando voluntários para uma aula-piloto presencial (em São Paulo) para explicar sobre Teoria dos Jogos e testar alguns conceitos para iniciar a compilação do meu novo livro sobre Pensamento Estratégico. Os voluntários ajudarão com feedbacks e novas idéias. Se você tem interesse, escreva para mim para saber os detalhes.
 
 
 
 
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