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| O grande resumo e a grande conclusão |
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O propósito deste livro é fornecer conceitos e insights para você aprimorar o seu Pensamento Estratégico. Como falamos antes, para cada tipo de desenho ou pintura existe uma ferramenta adequada, seja lápis, giz, pincel e respectivos formatos, densidade e cores. No seu kit de instrumentos, o grande desenhista sabe escolher qual usar em cada ocasião. O grande estrategista faz a mesma coisa. Para cada problema existe um modelo de decisão mais adequado, mesmo que use apenas mentalmente. Entre várias teorias e ferramentas com este fim, escolhemos focar em duas delas - a Teoria dos Jogos e a Economia Comportamental. A Teoria dos Jogos é mais voltada aos conceitos da Economia Clássica e Teoria das Decisões, com premissas como a racionalidade, maximização de utilidades e ranking de preferências. Já a Economia Comportamental foca as predisposições emocionais das pessoas e respectivos comportamentos frente a incentivos e incertezas. Analisar racionalmente os movimentos, mesmo incoerentes, dos jogadores através de um framework estruturado ajuda a ver o mundo de forma mais abrangente. Por isso, a união das duas teorias propicia uma compreensão mais próxima a realidade.
Como qualquer disciplina, a utilização de modelos formais é importante para facilitar a comunicação e o aprendizado. Além disso, os modelos são úteis para criar atalhos mentais no processo decisório. Entretanto, diferentemente de livros-textos, neste livro colocamos a maioria dos modelos de decisão em formato de jogos e estórias, facilitando a memorização dos conceitos para futura analogia com situações do cotidiano e empresariais. O objetivo do livro não é fornecer um guia empresarial passo a passo para estratégia nos mercados, e sim fornecer insights e analogias para um bom raciocínio estruturado. Muitos destes elementos são intuitivos, e nosso propósito é sistematizar a intuição de forma que você consiga ter mais clareza nas próprias decisões e retransmitir os conceitos para amigos, funcionários e colegas de trabalho.
Quando falamos em Pensamento "Estratégico", primeiro precisamos qualificar nosso conceito de estratégia pois não existe uma definição única entre todas as literaturas. Em nosso contexto, estratégia é um conjunto completo e detalhado de todas possíveis ações dos jogadores em função dos ganhos ou perdas de cada resultado, um verdadeiro mapeamento de ações-reações. Por isso, com o plano de ação em mãos, a essência do Pensamento Estratégico é conseguir se antecipar aos movimentos do adversário em função desta visão de futuro e tomar a melhor decisão hoje.
Iniciando por explicar a Teoria dos Jogos como uma ferramenta de pensamento, mostramos porque ela é chamada por alguns autores como a "ciência da estratégia". Vimos que a Teoria dos Jogos é o estudo das decisões "estratégicas", ou seja, as situações onde a decisão e resultado de um jogador são influenciados pela decisão do outro jogador, e vice-versa, numa interação similar a um "jogo". Com algumas técnicas, é possível mapear a sequência de ações-reações sequenciais ou simultâneas e encontrar o ponto ótimo de equilíbrio (backward induction, equilibrio de Nash, estratégia dominante) e tomar melhor decisão. A mensagem aqui é conseguir prever os movimentos do adversário, entendendo que ele está fazendo a mesma coisa.
Apresentamos algumas limitações deste método devido a própria característica da Economia e Teoria das Decisões, que são as premissas de racionalidade, maximização das utilidades e conhecimento comum. Entretanto, o bom estrategista é aquele que conhece bem o adversário, mesmo quando ele não age de forma coerente. Para isso, você deve entender que as pessoas respondem a incentivos econômicos, sociais e _________. Saber quais são os reais incentivos e motivação dos jogadores é o complemento necessário o mapeamento das estratégias da Teoria dos Jogos. Os viéses cognitivos também exercem grande influência no comportamento humanos e conhecê-los aumenta suas chances de previsão.
Até o momento falamos dos outros jogadores como adversários e concorrentes, mas não necessariamente o jogo envolve um cenário ganha-perde. Muitas vezes todos procuram a colaboração e o famoso ganha-ganha. Entretanto, o jogo do Dilema dos Prisioneiros é um exemplo em que ambos se encontram numa armadilha devido o esquema de incentivos, levando-os a traição e situação difícil de sair por falta de confiança. Mostramos como sair desta armadilha usando a figura de uma autoridade central ou contrato, e como a sistemática de interações repetidas leva a cooperação devido o medo da retaliação. Num jogo com múltiplos jogadores, entram em cena os free-riders no Jogo da Tragédia dos Comuns, onde a cooperação é quase impossível. Estar consciente destes fenômenos e da potencial irracionalidade, como no Jogo do Ultimato, é fundamental para ler os cenários corretamente e agir de acordo.
Por fim, para um jogador estrategista lidar bem com todos os cenários, é importante se utilizar das sinalizações como forma de movimentação. Em um cenário com nenhum equilíbrio natural, como no Jogo do Covarde, fazer ameaças críveis é crucial para induzir a um resultado favorável. Uma das estratégias, não necessariamente intuitiva, é diminuir as próprias alternativas, como no Jogo dos Navios Queimados. A moral da estória aqui é saber usar bem os instrumentos jurídicos e contratos com seus interlocutores.
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| Atenção: estou convidando voluntários para uma aula-piloto presencial (em São Paulo) para explicar sobre Teoria dos Jogos e testar alguns conceitos para iniciar a compilação do meu novo livro sobre Pensamento Estratégico. Os voluntários ajudarão com feedbacks e novas idéias. Se você tem interesse, escreva para mim para saber os detalhes. |
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