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| Framework do Pensamento Estratégico |
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Nossa vida é recheada de insights que, de repente, nos fazem ver uma situação de forma diferente. Como exemplo, ocorreu comigo ao aprender o conceito de Sunk Cost em Economia. Sunk cost - custos afundados ou irrecuperáveis - são aqueles gastos já realizados que não podem ser mais recuperados. Como moral da estória, os custos do passado não devem ser considerados nas decisões sobre o futuro.
Isso abriu meus olhos na hora de tomar uma decisão e incorporei o conceito no meu framework de pensamento. Agora não fico mais com "peso na consciência" ao sair no meio de um filme chato só porque eu paguei um ingresso caro. Assistindo tudo ou saindo do cinema, eu não vou receber o dinheiro de volta de qualquer maneira - é sunk cost, dinheiro perdido, custo afundado. No momento da decisão (ficar ou sair do filme), o que importa são as alternativas que me darão mais satisfação a partir daí (futuro): terminar o filme, voltar para casa mais cedo, visitar uma loja que não daria tempo se ficasse no cinema, tomar sorvete, etc.
Este e outros conceitos de economia, estratégia e teoria das decisões são uma espécie de regras de ouro na minha caixa de ferramenta mental. Em geral, conceitos simples e bem definidos estruturam as tomadas de decisão de forma mais rápida, servem como atalho mental e viram os conselheiros internos que possibilitam retransmitir as dicas de forma mais didática. No caso do cinema, o conselho é simples: se o filme está chato e você tem coisa melhor a fazer no lugar dele, é perfeitamente racional sair no meio. Afinal, sunk cost não influencia a decisão futura; não fique preso a sua decisão do passado.
Entretanto, a analogia acima serve para ilustrar como incorporar conceitos no seu raciocínio, mas não é um exemplo de decisão "estratégica", pois como a maioria dos conselhos de Economia e Teoria das Decisões, se referem a situações com escolhas isoladas e independentes. Com o Pensamento Estratégico e a Teoria dos Jogos a situação é diferente, mais complexa e intelectualmente desafiadora, pois envolvem cenários em que o resultado das suas decisões é afetado pelas decisões dos outros, numa interdependência igual a um jogo.
Os elementos do framework do Pensamento Estratégico
A figura abaixo mostra, de forma sucinta, os temas abordados neste site com o objetivo de melhorar o seu pensamento estratégico que é o elemento final, na parte inferior do quadro.

Vamos ajudar seu raciocínio estratégico basicamente oferecendo elementos para sua caixa de ferramental mental, com vários exemplos fáceis de serem lembrados e incorporados no dia a dia nas tomadas de decisão.
Você verá que a maioria dos conceitos ensinados são intuitivos, em muitos casos você pensará "ah... isso eu já sabia, mas interessante olhar por este aspecto". O que faremos, na verdade, é sistematizar o intuitivo em um formato bem mais fácil de analisar e recordar. Como estamos falando de decisões entre indivíduos em situações similares a um jogo, muitas vezes relacionadas ao cotidiano, um dos grandes benefícios desta nova forma de pensar é entender a lógica das interações humanas.
Para conseguir organizar a sua intuição e seu raciocínio sobre as interações humanas visando um melhor pensamento estratégico, a Teoria dos Jogos é a linha mestre de todos os conceitos, mas para ser mais aplicado na vida real é necessário incorporar três outras teorias - a Economia Clássica, a Economia Comportamental e a Teoria das Decisões. Todas essas ferramentas estarão permeam as discussões estratégicas.
Vamos dividir os conceitos em quatro grandes temas. O tema 1 (Pense por antecipação) compara a Teoria dos Jogos com os jogos normais (por exemplo, xadrez): os jogadores possuem objetivos, são estratégicos para atingí-los, mas como os resultados são conectados e dependentes, a decisão de um afeta o ganho do outro, que por sua vez faz um contra-ataque e interfere no resultado do primeiro. Assim, ambos precisam se antecipar aos movimentos e reações do outro antes de decidiir o que fazer. O conceito é "coloque-se na posição do adversário". A Teoria dos Jogos apresentam algumas técnicas, como utilizar um formato gráfico de análise (árvore de decisão ou matriz), mapear os jogadores, ações e resultados, e então usar os conceitos de indução retroativa, estratégia dominante e interações para entender o ponto de equilíbrio e melhor decisão. Entretanto, pensar por antecipação neste modelo requer algumas premissas, como admitir que o outro jogador quer maximizar a utilidade dele, que ele é racional e que ambos sabem exatamente quais são as estratégias e resultados (payoffs) da situação em questão. Qualquer alteração nos payoffs praticamente muda o jogo inteiro e quais são as melhores estratégias. Serão dados exemplos de competição entre empresas.
O tema 2 (Entenda os incentivos) questiona algumas dessas premissas racionais e dá um tom mais realista para se adequar ao mundo. A principal mensagem aqui é saber qual é o real objetivo que o outro jogador está buscando maximizar. O conselho "coloque-se na posição do adversário" é revisitado para "coloque-se na cabeça do adversário". Não se trata de o que você faria, e sim como ele pensa. É preciso entender as motivações dele, seja monetária ou subjetiva, seja de curto ou longo prazo. O grande princípio econômico de "as pessoas respondem a incentivos" é fundamental aqui. Como as pessoas respondem diferentemente de acordo com cada incentivo e possuem alto grau de auto-interesse nas decisões, saber qual esquema de incentivos está em jogo é crucial para jogá-lo bem. Aqui entra a Economia Comportamental para ensinar os viéses cognitivos que seu adversário pode ter e como reagir a eles.
O tema 3 (Consiga cooperação) aborda um caso especial de jogo, onde o esquema de incentivos com escolhas simultâneas induz o tomador de decisão racional a optar por uma estratégia ruim, preso numa armadilha chamada Dilema dos Prisioneiros. Utilizando este framework como analogia, fica fácil explicar as condições em que todos querem cooperar mas acabam competindo, onde a estratégia racional individual resulta num pior coletivo. Para resolver o esse parodoxo, alguma dicas são dadas, como usar o poder de uma autoridade central, fazer contratos rigorosos ou a famosa estratégia OLHO por OLHO nas interações repetidas. O ponto principal é como conquistar a confiança nos chamados dilemas sociais. Muitos biólogos explicam a existência da colaboração no mundo animal, e os sociológos no mundo humano, usando o mesmo framework. Será possível entender porque a colaboração é tão difícil em alguns momentos e como resolver.
O tema 4 (Ameace de forma crível) unifica os ensinamentos sobre pensar por antecipação, entender os reais incentivos e mecanismos de cooperação em um conceito de sinalização. Enviar uma mensagem ao seu adversário ou parceiro, dentro da Teoria dos Jogos, é fazer um movimento estratégico esperando uma reação, preferencialmente aquela que você espera. Neste contexto, o principal conceito é ameaçar de forma crível para criar compromisso. Você verá que uma dar formas é sinalizar publicamente que você não tem menos alternativas de estratégias possíveis.
Tanto a Teoria dos Jogos como a Economia possui uma matemática avançada para explicar os seus conceitos. Não usaremos fórmulas nesta abordagem, para isso existem livros-textos para graduação ou pós-graduação em que o leitor mais avançado por consultar. Nossa metodologia aqui converter os conceitos em jogos-modelos, estórias e analogias. Estes são poderosos recursos para explicar os conceitos e propiciar o leitor duas vantagens - memorizar e transmitir para outros.
Nosso tema unificador
No livro SuperFreakonomics, Steven Levitt e Stephen Dubner relatam que o primeiro livro (Freakonomics) não tinha um "tema unificador" e que o livro era apenas uma coletânea de casos. Após feedbacks, eles perceberam que existia sim um tema unificador: as pessoas respondem a incentivos. De fato, ambas publicações abordam vários exemplos de incentivos não óbvios e respectivos comportamentos na vida real.
Qual o meu tema unificador neste site? Usando Teoria dos Jogos, Economia, Estratégia e Teoria das Decisões vamos estudar os comportamentos humanos e entender/prescrever o que está por trás das decisões das pessoas. Por exemplo, fazendo analogia com Dilema dos Prisioneiros, a Teoria dos Jogos explica porque as pessoas buscam a cooperação e não conseguem, a implicações numa guerra de preços entre empresas, quando dar gorgeta em um restaurante e o papel da Lei Cidade Limpa em São Paulo.
Os jogos-modelos, como o Dilema dos Prisioneiros, Tragédias do Comuns, Jogo do Ultimato, o Stag Hunt, Maching Pennies, etc, e seus conceitos de Equilibrio de Nash, Backward Induction, etc, tornam uma situação mais clara, facilitam a comunicação numa mesma linguagem e ajudam memorizar os conceitos.
No dia a dia, para tomar uma decisão, os gerentes usam simultaneamente vários conceitos (por exemplo: Sunk Cost, Utilidades Esperadas, Ranking de Prós e Contras, Trade-off, Custo de Oportunidade, Custo e Benefício Marginal, Valor Presente). Vamos incluir os conceitos das decisões interativas (ou estratégicas) na sua "caixa de ferramenta de decisões", fornecendo conceitos palpáveis para um raciocício racional estruturado. Concluindo, nosso objetivo aqui é propiciar elementos para melhorar o seu Pensamento Estratégico através de estórias e analogias usando conceitos da Teoria dos Jogos, Economia Comportamental e Estratégia. Representam um complemento intelectual nas tomadas de decisão, especialmente em situações onde as decisões e resultados dos vários jogadores são interligados entre si.
A Teoria dos Jogos é um grande exercício de pensamento estruturado, é um pensar diferente sobre os cenários da vida. Como diz John Elster em Explaining Social Behavior "Teoria dos Jogos ilumina a estrutura das interações sociais. Uma vez que você vê o mundo através das lentes da Teoria dos Jogos - ou ´teoria das decisões interdependentes´, como deveria ser chamada - nada mais parece o mesmo".
Afinal, o que é Teoria dos Jogos? |
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[1] Explaining Social Behavior: More Nuts and Bolts for the Social Sciences, John Elster, 2007, Cambridge University Press |
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Próximo Artigo: Garrincha: O senhor já combinou com os russos?
Artigo Anterior: O papel da racionalidade nos modelos e explicações
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| Atenção: estou convidando voluntários para uma aula-piloto presencial (em São Paulo) para explicar sobre Teoria dos Jogos e testar alguns conceitos para iniciar a compilação do meu novo livro sobre Pensamento Estratégico. Os voluntários ajudarão com feedbacks e novas idéias. Se você tem interesse, escreva para mim para saber os detalhes. |
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Comentários: [Deixe seu comentário]
Será que o bom acaso me trouxe até aqui? Digo isso porque o acaso, o caos e a imprevisibilidade formam o triângulo estratégico que montei há alguns anos para gerenciar minha vida, ao mesmo tempo que me cabe gerenciar este triângulo. Se o nosso encontro vai ou não ter desdobramentos quânticos, eu não sei, já que o não saber é um dos elementos básicos do meu modelo estratégico. Eu aprendi "planejamento estratégico" com Peter Drucker, mas hoje a palavra "planejamento" não me soa muito estratégica. É a primeira vez na vida que ouço alguém me dizer isso: "meu objetivo é propiciar elementos para você melhorar seu pensamento estratégico"
Tudo que a humanidade precisa hoje (mais do que nunca) é levar à prática uma boa estratégia para resolver seus problemas. Mesmo que isso seja utópico, porque problemas fazem parte de todos os organismos vivos, creio que vale a pena pensar estrategicamente. Na pior das hipóteses é uma forma de lazer construtivo. Me cabe agora estudar a teoria dos jogos e verificar que pontos em comum ela tem com a teoria quântica. Mas se você quiser, paralelamente, discutir uma definição de estratégia (até agora não consegui descobrir nenhuma definição aceitável) será um prazer.
Abraços, Mtnos Calil, Consultor organizacional |
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| Mtnos Calil - mtnos_calil@yahoo.com.br - 7/4/2012 |
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| Foi de muito Bom, serviu p/ o trabalho que estava fazendo...obrigada aos autores deste texto... |
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| Mercedes Vieira Giaretta - mercedes.giaretta@hotmail.com - 1/4/2012 |
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Muito inteligente, e sabio quem o escreveu. Ferramentas mentais ajudam muito dia-a-dia... Abç* thaisatto@bol.com.br |
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| thais - thaisatto@bol.com.br - 28/11/2011 |
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Curso sobre teoria dos jogos do Ben Polak de Yale disponibilizado na íntegra no link (vídeos das aulas, escritos no quadro, referências, exercícios) http://oyc.yale.edu/economics/game-theory
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| Jane Ricarda Figueiredo - janerfn@ig.com.br - 28/9/2010 |
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Muito bom essa materia esta me ajudando muito para um trabalho, pois tenho que monta um jogo nao existente para apresenta dia 22/05 me ajudem!!!!!!!!
lenilza |
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| Lenilza Rosa Santos de Araujo - lenilzaharaujo@gmail.com - 17/5/2010 |
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| Gostei muito, antes eu nem tinha idéia do que era teoria dos jogos, pensava q só falava sobre jogosss e mais jogoss, mas depois que comecei a fazer faculdade de sistemas de informação, tudo mudou, na matéria de fundamentos de sistemas de informação, estudamos a teoria dos jogos, o qual eu amei estudar, muito bom, muda completamente a vida de qualquer um que queira pensar num modo diferente de fazer e ver as coisas. vlw, esse site também é show, té maiss sucesso!!!! |
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| Marcos - markos.system@gmail.com - 15/5/2010 |
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